Paradoxo da modernidade: tecnologia efêmera

Por Gabriela Freitas Nogueira Lima Ao pensar em tempos modernos, a tecnologia é o primeiro elemento a ser lembrado. A ideia de evolução tecnológica invoca uma constante necessidade pela atualização e, portanto, de consumir aquele produto recém-lançado e descartar o antigo. A dificuldade de frear esse...

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Por Gabriela Freitas Nogueira Lima

Ao pensar em tempos modernos, a tecnologia é o primeiro elemento a ser lembrado. A ideia de evolução tecnológica invoca uma constante necessidade pela atualização e, portanto, de consumir aquele produto recém-lançado e descartar o antigo. A dificuldade de frear esse consumo reside no status social garantido pela ostentação da tecnologia, vista como mais importante do que a preservação do ambiente, que abriga vida e matéria-prima.

Com esse ciclo consumista, o aumento da quantidade de lixo eletrônico demonstrou o fenômeno da obsolescência programada, no qual produtos de alta tecnologia formam um grave paradoxo: investimentos elevados em pesquisa com pouca durabilidade. Pequenos aparelhos eletrônicos têm em sua composição metais pesados, substâncias que, mesmo em pequenas quantidades, podem provocar a inutilização de solos de agricultura e, ainda, doenças graves à saúde humana.Consequentemente, o lixo “moderno” não preocupa apenas por seu crescente volume, mas também por ser altamente nocivo.

A prática da obsolescência, tão comum na sociedade capitalista, passou então a ser vista como algo inerente à tecnologia. A naturalização desse grave problema é perceptível na falta de contestação às grandes empresas. Os indivíduos, por considerarem eletrônicos algo essencial, são envolvidos pelo fetichismo da mercadoria e não questionam suas falhas. Essa relação, em que a humanidade é “coisificada”, foi um dos objetos de estudo do sociólogo inglês Karl Marx, que a considerou típica do capitalismo.

Em síntese, a falta de consciência ecológica é um dos problemas mais urgentes. As mídias sociais são bons instrumentos para a veiculação da real ameaça que o consumismo ocasiona para o planeta e deve ser explorado pelo Estado em campanhas informativas acerca do assunto. Ademais, o envolvimento das prefeituras no estímulo a reciclagem por meio da ampliação dos postos de coleta e isenção fiscal a empresas sustentáveis é fundamental. Ainda, o desenvolvimento de pesquisas no campo acadêmico forma podem criar melhores alternativas para o descarte correto, devendo ser amplamente estimulado pelos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente.

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