Lixo no Brasil capitalista contemporâneo

Por Marcos Fonseca – 3º Ano Um dos conceitos sociológicos mais importantes e aplicáveis à conjuntura produtiva do mundo atual é o de obsolescência programada, prática empresarial de criar, deliberadamente, produtos “programados” para se tornarem obsoletos em um curto período de tempo. É um problema que,...

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Por Marcos Fonseca – 3º Ano

Um dos conceitos sociológicos mais importantes e aplicáveis à conjuntura produtiva do mundo atual é o de obsolescência programada, prática empresarial de criar, deliberadamente, produtos “programados” para se tornarem obsoletos em um curto período de tempo. É um problema que, segundo a definição marxista de infraestrutura, é de difícil resolução, afetando fortemente o meio ambiente. É nos países desenvolvidos que essa prática é aplicada mais contundentemente, mas, em contrapartida, produz menos reflexos negativos à natureza, quando comparado com o Brasil, em decorrência da eficiente aplicação da reciclagem aqueles territórios. Tal fato também pode ser explicado pela presença de certa mentalidade social e pela ineficiência das medidas do Estado em nosso país.

A mudança de pensamento da sociedade é dificultada pelo próprio capitalismo. O modo de produção chamado de infraestrutura por Karl Marx define a forma de pensar e de se comportar de uma sociedade. Essa mentalidade é, na verdade, a displicência com a qual muitos compram seus produtos e o consumismo exagerado, responsáveis pelo grande acúmulo de lixo. Nesse raciocínio, tal quadro necessitaria do fim do capitalismo para mudar, todavia, segundo o mesmo pensador, instituições como família, estado, religião, constituintes da superestrutura, também influenciam a mentalidade social, prescindindo, assim, de uma mudança tão radical como a destruição deum sistema já consolidado.

De acordo com estudo realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cada brasileiro gera em média 383 kg de lixo por ano, e dados da revista Exame apontam a reciclagem de apenas 13% dos dejetos urbanos. Por outro lado, na Alemanha, a mesma produção é de 583 kg por ano, mas a reciclagem é de 61,8 %. Ou seja, por mais que a sociedade contribua com uma mudança de pensamento, o Estado precisa agir para uma melhor política de reaproveitamento do lixo.

Para mudar o quadro, a superestrutura deve agir. As escolas devem alertar os alunos sobre a prática da obsolescência, procurando criar um consumidor crítico e consciente, com a abordagem do assunto no ensino básico, ensinando-os a serem seletivos com os produtos. Ademais, o Governo deve criar centros de coleta de lixo, espalhadas em pontos estratégicos de polos urbanos, definidos com o auxílio de geógrafos, com paralela distribuição de cartilhas, auxiliando as pessoas com a localização desses pontos e com a instrução de como executar o depósito de lixo nos centros.

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